« Home | Quem faz, faz. Quem não faz, espera » | Como é que se diz "eu te amo"? » | Teoria da Lasagna » | Uniforme » | A varinha de condão » | O caso do italiano. » | No Divã - parte I » | Eu sei, mas não devia! » | Dom Miguel » | No início tudo era vida. E um dia veio ele, inimag... »

Barbarismos

Coisas que o coração faz quando a mente está ébria

Têm toda a importância em minha vida;

O coração se aproveita do momento de torpor

E fala, e xinga, e humilha, e ama


Ama dizendo o tanto que ama

e faz de conta que não

Xinga pedindo perdão

colo, afago, abrigo e cama



Coisas que a mente faz quando o coração está ébrio

Têm muita importância em minha vida;

A mente toma o poder e derruba

tudo o que o coração, furtivo, construiu


Derruba mostrando que pode

E saca, e pilha, e zomba e estupra

E grita pra não ter que ouvir;

Ainda assim ao coração escuta



(É tão fácil perder confiança

tão ou mais que perder a esperança)



Entorpeço, então, de poesia

a um só tempo, os dois antagonistas

para que eu possa, enfim, dormir em paz

nos escombros dos meus eus em agonia

Lindo demais dona!
Por qual motivo os poemas mais viscerais e lindos tem que surgir quase sempre de instantes sombrios?
beijos
Wafer

Postar um comentário

Links to this post

Criar um link